PROJETOS VENCEDORES DO AIA-CODE 2012

Foi anunciada a lista com os dez melhores projetos americanos para 2012, pelo Instituto Americano de Arquitetos e sua Comissão do Meio Ambiente (American Institute of Architects, Committee on the Environment – AIA-COTE). Os vencedores neste ano destacam-se pelos laços laços com a  comunidade local, equidade social e atenção às questões de eficiência hídrica. Segue uma breve descrição de cada um dos vencedores abaixo das respectivas imagens, com o responsável pelo projeto e o local da construção:

Foto ©: 1315 Peachtree Street por Perkins + Will

Este prédio é a adaptação (retrofit) de um prédio de escritórios de 1986 transformado em um “laboratório vivo” e ferramenta educacional com foco cívico. Destaque para a abordagem multidisciplinar do projeto, buscando a diminuição do impacto ambiental da construção (selecionar um edifício já existente), manutenção ao máximo da estrutura existente e otimização dos sistemas, tais como envelopário, HVAC, iluminação e água.

Foto ©: ASU Polytechnic Academic District por Bill Timmerman

O projeto para a Universidade Politécnica Estadual do Arizona partiu da transformação de uma base aérea desativada em um campus “peatonal”, que celebra a paisagem do deserto e cria uma nova identidade para um programa deste tipo. Ao segmentar os mais de 22.000m2 do partido em cinco prédio de alto desempenho (com certificação LEED Gold), a equipe de projeto criou um plano para quatro pátios ajardinados ligados por uma série de portais e arcadas, criando um campus coeso, voltado aos pedestres e que envolve alunos e professores na paisagem única do deserto de Mesa.

Foto ©: Chandler City Hall por SmithGroupJJR

O empreendimento é um complexo governamental desenvolvido em dois blocos. O bloco ao norte é destinado a uma torre de escritórios com cinco pavimentos, e o outro bloco – térreo e longilíneo – segue entre a Arizona Avenue e a Washington Street com uma galeria de arte, câmaras de conselhos e um estúdio de televisão. Havia dois objetivos fundamentais para o projeto: primeiro, estabelecer uma identidade para a comunidade, com um centro que gerasse orgulho para seus cidadãos; o segundo, a revitalização do centro histórico, em uma área até então desprovida de atividades e em condições precárias, de forma a promover o desenvolvimento comunitário em torno do centro da cidade.

Foto ©: Iowa Utilities Board por Assassi

Este projeto foi erguido em uma área de seis acres, recuperada de um antigo lixão, onde o poder estadual procurou demonstrar uma estratégia viável de desenvolvimento econômico que pudesse ser replicada em outros lugares. O prédio está organizado em duas asas (servindo a duas unidades estatais independentes) unidas por um elemento central de conexão e distribuição. O prédio serve como um símbolo para o gerenciamento eficiente de energia no Iowa, tendo sua performance comprovada na prática com a ótima relação custo-benefício das medidas adotadas no projeto, execução e uso.

Foto ©: Kensington High School por Barry Halkin

A Juventude Unida para a Mudança, um grupo ativista adolescente atuante foi fundamental na cobrança sobre o School District of Philadelphia (SDP) para criar esta pequena escola que incentivasse os alunos a efetivamente formarem-se, em vez de “cair no mundo” com pouca esperança no amanhã. O local escolhido oferecia muitos desafios e complexidades, seja por sua morfologia fina e comprida, ao lado de uma via de trânsito carregado e ruidoso, seja pela visão da vizinhança desta ser uma “zona desmilitarizada” (DMZ, na sigla em inglês) entre duas comunidades díspares, com tradição de abrigar mendigos, usuários de drogas e cães vira-latas… Desde o princípio, a equipe de projeto preocupou-se com que o prédio fosse o máximo possível transparente e convidativo, sem o uso de cercas, e apresentando-se como um exemplo positivo de agricultura urbana, emprego de telhados verdes e arte muralista.

Foto ©: Mercy Corps por Jeff Amram

A Mercy Corps é uma organização mundial de ajuda humanitária, trabalhando para transformar cenários de crise em oportunidades de progresso e desenvolvimento. Esta nova sede é fruto de uma restauração em um prédio histórico abandonado, com cerca de 4.000m2, mais uma nova construção com metragem semelhante. Um átrio, que funciona como uma área de encontro informal, está definido por uma escada cheia de luz que conecta os diferentes níveis do edifício. Este núcleo arejado também funciona como um “ventilador de camadas”. Assim, o desempenho eficiente do edifício e o incremento no conforto dos funcionários estão totalmente integrados.

Foto ©: Music and Science Building por Michael Mathers

A principal característica da mais nova construção no campus da Hood River Middle School é sua busca basilar de integração entre o interior notável e específico para o ensino de música e o exterior desenvolvido com os princípios da permacultura, inserindo este prédio no que poderíamos chamar de ciclo fechado de produção. Observa-se aqui o alinhamento entre o plano pedagógico e o projeto arquitetônico, oferecendo um exemplo prático de sustentabilidade sócio-ambiental, onde a construção é elemento ativo do currículo escolar.

Foto ©: Portland Community College por Stephan Miller

Portland Community College é a maior instituição de ensino superior do Oregon, servindo a residentes de cinco condados diferentes. Como parte do programa de expansão das salas de aula, estes 1.250m2 em Newberg são a primeira construção no novo campus na cidade de Willamete. Este primeiro edifício no local será o responsável por criar uma sensação acolhedora ao lugar, considerado fundamental para o sucesso do empreendimento. Destaca-se no prédio o grande telhado voltado ao sul (atuando como um grande beiral que funciona como uma praça abrigada de entrada), que está organizado em torno de uma coluna central de circulação, com três salas de aula e uma suíte administrativa no flanco norte. Salas multiuso deslocadas e rotacionadas para o sul criam um ambiente de interação para os alunos, professores e a comunidade como um todo.

Foto ©: University Classroom Building por Paul Crosby

A reserva natural com 55 hectares onde este edifício com certificação LEED  em nível Platina está localizado foi doada para a Universidade nos anos 50 para uso educacional e recreativo. O projeto fez com que o edifício tivesse o mínimo impacto ambiental em seu entorno, com alto grau de eficiência energética, mesmo no clima frio do norte de Minnesota. Além do atendimento aos critérios do LEED®, a equipes usaram o sistema alemão Passivehaus no processo de projeto, de forma que as metas estabelecidas pelo cliente fossem plenamente atendidas.

Foto ©: University of California por UC Merced

Localizado em um terreno com 815 acres, em região com o mais rápido crescimento da Califórnia, o Plano de Desenvolvimento de Longo Alcance (2009 Merced) da Universidade da Califórnia, cria um quadro urbano do século 21 para o campus da Universidade – o primeiro em quarenta anos, adotado pelos Regentes da Universidade em março de 2009. A abordagem abraça a sustentabilidade econômica, social e ambiental em todos os aspectos no atendimento ao programa de necessidades, no ambiente interno e nas operações e uso .

A base deste plano já alcançou resultados notáveis:

  • LEED Ouro mínimo para todas as estruturas;
  • Os edifícios usam a metade da energia e consomem 40% menos água do que projetos semelhantes;
  • Uma unidade de geração de energia fotovoltaica produz 20% do total anual e 60% das necessidades de eletricidade nos momentos de pico;
  • O incremento nas inscrições foram da ordem de  525% nos primeiros cinco anos de operação.

Em 2020, quando o registro chegar a 10.000 estudantes, o UC Merced será o primeiro campus com zero desperdício de energia e com zero emissões de gases de efeito estufa nos Estados Unidos. No final de sua implementação, o campus vai abrigar 25.000 alunos, com de 50% de seu corpo discente utilizando carona, um campus peatonal cercado por 30.000 hectares de preservação permanente.

NOVOS ARES EM HABITAÇÕES DE INTERESSE SOCIAL

Sem dúvida alguma, os projetos premiados no concurso “Habitação para Todos” representam um alento para quem se preocupa em como resolver com qualidade (e dignidade) o grande déficit habitacional brasileiro. O concurso promovido pela CDHU – Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo e organizado pelo IAB-SP traz novos ares para quem observa de forma mais atenta o que se está pensando em termos de habitação de interesse social, servindo como um panorama de idéias coletivas dos mais diversos rincões do país.

A avaliação dos trabalhos considerou os critérios técnicos constantes no edital, como a implantação do terreno, o programa de necessidades específico, legislação de edificação e normas gerais, acessibilidade, a contribuição técnica construtiva, o conforto ambiental e a habitabilidade, qualidades urbanas do projeto arquitetônico, a sustentabilidade, além do custo da obra conforme parâmetros definidos pela própria CDHU.

Com a participação de 61 equipes de vários estados brasileiros, o concurso dividiu-se em seis grupos tipológicos: casas térreas, casas escalonadas, sobrados, edifícios de três pavimentos, edifícios de quatro pavimentos e, por último, edifícios de 6 e 7 pavimentos. Apesar da abrangência da amostragem apresentada, a quantidade de informações e o grande número de pranchas solicitadas talvez tenham desistimulado uma maior participação no evento. Entretanto, é certo que se compreenda que os tempos do “arquiteto-faz-tudo” já passaram, e hoje em dia tem-se que pensar em trabalhos colaborativos e multidisciplinares, de forma a atender satisfatoriamente aos requisitos programáticos propostos…