UMA CASA PARA JÚLIO VERNE

Aos cento e oitenta e três anos do nascimento do escritor de “Viagem ao Centro da Terra”, “Volta ao Mundo em 80 Dias” e “Da Terra à Lua”, surgiu um empreendimento digno de toda aquela criatividade. Certamente o francês Júlio Verne teria gostado da edificação apresentada pelos russos Alexander Remizov (Arquitetônico) e Lev Britvin (Soluções Energéticas) da empresa Remistudio para o Programa “Arquitetura de Auxílio contra Desastres” da IUA – International Union of Architects (UIA – União Internacional de Arquitetos): o Projeto Arca.

Imagem Conceito montada com foto de "Jules Verne por Felix Radar" + "Nautilus da Disney por Azzerin" + "Molas" + "

Montagem com "Jules Verne por Felix Radar" + "Nautilus por Azzerin" + "Molas" + "The Ark #6 por Remistudio"

Segundo o Arquiteto, a Arca é um prédio com concepção bioclimática que pode resistir a maremotos, terremotos, furacões e outros desastres naturais. Ainda por cima, durante um desses momentos extremos, o prédio pode se manter de forma autônoma, pois apresenta sistemas independentes de suporte a vida com ciclo fechado. Sua construção teria um ciclo de construção muito rápido devido ao sistema estrutural proposto (com os seus anéis de madeira compactados) e  seria erguido tanto na terra como na água.

A construção tem um formato de concha com a combinação de arcos e cabos, o que permitiria uma resistência a terremotos devido a uma melhor distribuição de cargas. O prédio utiliza a coleta de águas pluviais e painéis solares para produção de energia (favorecido pelo formato angular de sua cobertura). A robustez estrutural é garantida pelo comportamento de compressão dos arcos de madeira e do tensionamento dos cabos de aço. Com uma estrutura quase transparente, a incidência solar é filtrada para os ambientes internos por meio da aplicação de uma película de ETFE (etil-tetrafluoretileno) com capacidade de autolimpeza, reciclabilidade, e que apresenta maior economia, leveza e durabilidade que o vidro. A versatilidade de sua construção em qualquer ambiente natural é dada pela sua estrutura de subsolo, ainda em formato de concha, sem bordas ou ângulos vivos.

O prédio tem um sistema único de energia. Seu formato de cúpula cria uma atmosfera superficial “turbolenta”, auxiliando o funcionamento do gerador eólico no cume. O mesmo formato permite que, internamente, o calor concentre-se na parte superior, sendo coletado em acumuladores elétricos e de hidrogênio, fornecendo energia de forma ininterrupta independente das condições externas. Além disso, o calor do local onde ele estiver – água ou solo – também é agregada ao sistema.

Segundo Alexander Remizov, toda a vegetação empregada é selecionada de acordo com os princípios de iluminação, compatibilidade e eficiência na produção de oxigênio, além do favorecimento na criação de ambientes atraentes e confortáveis. Vejam as outras imagens:

Imagem © Remistudio

Imagem © Remistudio

Imagem © Remistudio

Imagem © Remistudio

Impossível não vincular este projeto ao Nautilus criado por Júlio Verne no seu clássico “20.000 Léguas Submarinas”, onde o famoso Capitão Nemo guiava seu submarino pelos recôndidos do mundo. Independente dos palpites e opiniões sobre as mais diversas teses do aquecimento global, é muito interessante que existam alternativas ao modelo atual de habitação, mesmo que venham de excertos da fantasia autoral, da ficção científica ou da arquitetura fantástica em um admirável outro mundo…