COWPARADE PORTO ALEGRE 2010

Letra de Zé Ramalho + (Logomarca e Cartaz do Evento), Agência DCS

Letra de Zé Ramalho + (Logomarca e Cartaz do Evento), Agência DCS

Encerraram-se hoje as inscrições para a CowParade Porto Alegre 2010. A capital gaúcha participa pela primeira vez deste evento internacional de exposição de arte que, desde 1999, já esteve em 55 cidades diferentes, como Nova Iorque, Londres e Tóquio.

Não se preocupem com a Síndrome da Vaca Louca. Apenas, para os mais tradicionalistas, acustumados a ver “Mimosas” e “Branquinhas” recebendo prêmios na EXPOINTER a cada ano, talvez encontrá-las em alguma esquina cause espanto… O único temor dos organizadores  está no hábito gaudério de ver estes animais, quando muito, espetados dentro de uma churrasqueira. Atos de vandalismo carnívoro não estão afastados por aqui!

Mas o que um evento destes tem a ver com sustentabilidade? Talvez o fato de que todas as obras de arte sejam feitas sobre uma base que é uma vaca em fibra de vidro já bastasse, pois não há liberação de metano e não se está contribuindo para agravar o “efeito estufa”… Mas o que importa mesmo é o processo democrático de exposição pública, onde os artistas são escolhidos localmente e podem fazer o que lhes der na telha, ou melhor, na vaca. Com isto, estima-se que mais de 150 milhões ao redor do mundo já tenham visto pessoalmente pelo menos um dos animais expostos, que ficam espalhados em pontos atrativos e corriqueiros de cada uma das cidades. Afora a sustentabilidade cultural expressa, estes eventos arrecadam fundos por meio de leilões para entidades beneficientes escolhidas previamente. A CowParade de Porto Alegre atenderá projetos escolhidos pelo Instituto Vonpar, responsável por  unir esforços para inclusão econômica e geração de renda para comunidades em situações de exclusão e risco social.

De acordo com o regulamento, uma coisa é certa: a vaca tricolor e a colorada (não necessariamente nesta ordem) – sínteses de nossas dualidades ideológica, política e filosófica – não serão vistas ruminando a rivalidade Gre-Nal, afinal não é permitida alusão a entidades futebolísticas. A Krebs Sustentabilidade não podia deixar passar esta em branco. Inscrevemos nosso “bichinho”, a Re-COW-ciclável. Resta agora ficar na torcida para estar entre as 80 selecionadas para a exibição.

Re-COW-ciclável, por Carlos + Lisandra Krebs

Re-COW-ciclável, por Carlos + Lisandra Krebs

RODANDO COM SUSTENTABILIDADE

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Imagem CC – Rapseed field in England por John Picken

Está em vigor, desde a publicação no Diário Oficial da União (D.O.U) do dia 19 de março último,  a Instrução Normativa nº 01 do Ibama, com a finalidade de instituir os procedimentos necessários ao cumprimento da Resolução CONAMA 416/2009, sobre a coleta e destinação final de pneus inservíveis. Com isto, os fabricantes e importadores de pneus terão que dar destinação aos pneus sem utilidade a partir do próximo dia 31, segundo informações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

A partir do dia 31, as empresas importadoras e fabricantes de pneus novos com peso unitário superior a dois quilos terão 30 dias para comprovar, por meio de relatórios específicos no site do Ibama, a destinação adequada de pneus inservíveis. Os relatórios deverão ser preenchidos trimestralmente. Esta medida e avança em relação à Resolução CONAMA 258/1999 (Metas para Coleta e Reciclagem de Pneus) que, desde que entrou em vigência até sua revogação, ampliou de 10 para 58% o percentual de pneus reciclados no país.

De acordo com a Instrução Normativa, os casos de importação, como por exemplo, admissão temporária, reimportação, retorno de mercadorias e exportação temporária, são dispensados da obrigatoriedade. Importações realizadas por pessoa física onde o total importado seja igual ou inferior a quatro unidades por ano de pneus novos, e o peso de cada pneu não ultrapasse 40 quilos, também são dispensados da regulamentação.

A meta estabelecida com a Instrução Normativa é que para cada pneu novo comercializado no país ocorra a correta disposição final de um pneu inservível. O objetivo da medida é dar uma destinação adequada aos pneus inservíveis e evitar que eles sejam jogados em rios e lagos, provocando assoreamento, ou que, abandonados, sirvam de abrigo para vetores de doenças, como a dengue. Somente no ano de 2009 foram fabricados 53,8 milhões e importados 21,8 milhões de pneus novos.

AS ÁRVORES DE PLÁSTICO NÃO MORREM…

Imagem CC "Fake Plastic Tree" de Hobvias Sudoneighm

Imagem CC "Fake Plastic Tree" de Hobvias Sudoneighm

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), o país é o oitavo colocado no ranking mundial de consumo de plástico, enquanto ocupa o nono lugar entre os maiores fabricantes de resinas plásticas. Conforme levantamento da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), o  consumo per capita anual deste material saltou de 18,6kg em 1997 para 26,1kg em 2007 – ainda bem distante do padrão americano de mais de 100kg/pessoa ao longo de um ano.

Por outro lado, a produção de papel com conteúdo reciclado consome 50% menos energia do que a produção com matéria-prima original, e 50 vezes menos (!) água, reduzindo a emissão de poluentes no ar em 95%. Considerando-se o eucalipto como a principal fonte de celulose no Brasil, para cada tonelada de papel fabricado são necessárias doze árvores. Segundo informa o proprietário da Reprográfica Barrense, em volta Redonda/RJ, a utilização de 50kg de papel reciclado evita o corte de uma árvore. E cada tonelada de papel reciclado representa 3 metros cúbicos de espaço disponível nos concorridos aterros sanitários do país.

Mas afinal, o que este monte de dados apresentados tem a ver entre si?

Fruto de uma parceria entre a Universidade Federal de São Carlos e a Vitopel – maior produtora de embalagens flexíveis da América Latina, com fábricas em Votorantim e Mauá (SP) – começa a ser comercializado a partir de agosto no Brasil o Vitopaper, um papel sintético cuja matéria-prima não é a celulose, mas sim os resíduos plásticos normalmente coletados para reciclagem. Com investimentos da ordem de R$4 milhões de reais ao longo dos últimos três anos, a tecnologia inovadora tem como grande diferencial o fato de não necessitar de seleção dos plásticos para a fabricação. A matéria-prima pode incluir garrafas PET, frascos, embalagens ou rótulos. Com 850kg de plástico obtêm-se 1 tonelada de papel sintético.

A estimativa da empresa, segundo o presidente José Ricardo Roriz Coelho, é vender 10.000 toneladas no mercado interno ainda este ano, apesar da capacidade de produção ser de 150.000 toneladas/ano. Com o olho na sustentabilidade social, é interessante notar o comprometimento com as cooperativas locais: “Nosso plano de trabalho com as cooperativas de catadores tem um primeiro estágio em que esperamos contribuir para uma melhora na rentabilidade das organizações, o que certamente já vai tirar muita gente da rua. No segundo estágio, imaginamos ser possível que os catadores possam fazer o trabalho uniformizados, de posse de identificação e com carrinhos que ajudem a dignificar seu trabalho”, afirma Coelho.

Como marketing, a empresa alega que este papel é mais resistente, atraente (semelhante ao acabamento do papel couché) e durável, já de olho, certamente, no imenso mercado de cadernos e de impressão e distribuição de livros escolares.

Quem sabe o alastramento desta tecnologia pelo país não vai permitir que se pare de plantar “florestas exóticas” (pinus, eucalipto, etc) para produção de papel e se passe a investir a longo prazo em “florestas nativas”, que certamente irão impulsionar a cadeia da indústria moveleira e diminuir a pressão que esta exerce pela preciosa madeira oriunda da Amazônia? Se pensarmos o quanto as coisas aparentemente desconexas podem ser vinculadas…