BIOMÓVEL

 

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Depois do Biodiesel, da Biomassa, agora é a vez do Biomóvel. Não, não se trata de produção de combustíveis ou energia a partir de móveis descartados. Biomóvel é a denominação lançada pelo Pólo Moveleiro do Planalto Norte de Santa Catarina para um processo de produção de peças de mobiliário com conceitos de sustentabilidade. De acordo com a cartilha explicativa disponível no site, existem dez partes, em diferentes áreas (desde a abordagem do design até os valores e vantagens destes produtos em relação ao móvel convencional), para a qualificação “bio” do produto final.

A iniciativa, patrocinada pelo SEBRAE, busca a diferenciação mercadológica deste grupo organizado e lança diretrizes competitivas para a exportação de seus produtos. A escolha pelo slogan “Sua Casa mais Saudável” está muito bem posta, principalmente em um momento em que, no vale-tudo do marketing, móveis “100% MDF” são vendidos como “100% ecológicos”, afinal, “florestas não são derrubadas para a confecção deles”…

Entretanto, o que a imensa maioria dos consumidores não sabem é que os móveis de MDF, além de não serem fabricados com restos de madeira (como é constantemente divulgado), contém na composição de seu bolo de fibras um elemento com potencial altamente cancerígeno: o fenol-aldeído, utilizado para agregar as fibras (vulgarmente, a cola). O mercado japonês, por exemplo, é extremamente restritivo aos produtos com este material em sua composição, e não deixa que entrem em seu país. No Brasil, apesar das inúmeras plantas industriais instaladas na última década para a produção das chapas de MDF, HDF e outros, nenhuma as produz livre desta cola.

Cadeira Picto – Wilkhahn.
Cadeira Picto – Wilkhahn.

Dentro da linha proposta pelo Biomóvel, um exemplo alemão de uma cadeia produtiva que mudou seus conceitos de produção está na região de Hannover. A cadeira Picto, dos designers Burkhard Schmitz e Franz Biggel para a fábrica de móveis Wilkhahn, é um produto desenvolvido a partir de uma parceria com o Ministério do Ambiente e da Economia da Alemanha e tem como principais características a mudança nos paradigamas de produção vigentes na época (1993). A cadeira utiliza-se de metais não-cromados, tecidos de lã, não usa cola ou soldas e todos os materiais que a compõem podem ser reciclados ou tem facilidade na desmontagem, além da indicação de composição dos materiais maiores da qual é feita. Há um serviço, desenvolvido pela fábrica, para recuperação das cadeiras usadas e as peças em bom estado são reutilizadas na produção de novas cadeiras. A experiência deu tão certo que foi estendida a outros produtores da região.

Com o lançamento oficial realizado dia 26/03, a marca Biomóvel deverá ter um grande destaque do Salão ABIMÓVEL2009, em São Paulo. Para fabricar os produtos com esta marca, as empresas terão que fazer parte do Arranjo Produtivo Local (APL) e para a venda, será necessária a certificação do Sindusmobil, além de ter seus processos produtivos auditados pelo SENAI. O que se espera do Biomóvel e de seu consequente selo de certificação, é que a afirmação de que os conceitos apresentados de forma tão descritiva e minusciosa sejam realmente introjetados nas respectivas linhas de montagem das empresas participantes, mudando a forma de produção e venda destes materiais tão presentes em nosso dia-a-dia.