CASAS LIVRES DE EMISSÕES DE CO2 – META OU MITO?

 

 

Com grande alarde, a Ministra de Estado para Habitação e Planejamento do governo inglês, Margaret Beckett, anunciou em dezembro de 2008 a meta de que até 2016 toda a Grã-Bretanha tenha todas as novas residências construídas com índice zero quanto as emissões de CO2. Mas isto é uma meta possível?

A Inglaterra tem hoje mais de 25% das emissões de gases do “efeito estufa” oriundas das residências e pretende-se que até o distante ano de 2050, este índice baixe em 80% dos níveis atuais. Há um plano de consultas públicas em aberto para que seja determinada a forma como este objetivo será atingido, incluindo:

• Grande incremento nos níveis de eficiência energética na fabricação de novas residências;

• Determinação de um nível mínimo de redução de CO2 que os construtores deverão atingir para que o desenvolvimento das casas nos locais tenham um ganho de isolamento, ou que esteja prevista a produção de energia de fonte alternativa neste local;

• Exigência dos desenvolvedores quanto ao enfrentamento das emissões restantes de carbono nas novas residências, optando por medidas plausíveis, tais como o fornecimento de energias eficientes para os equipamentos das casas;

• Determinação de um limite máximo na quantidade estimada de consumo nestas soluções, de forma que a indústria da construção civil forneça com exatidão o custo destas políticas;

• Revisão da lista de soluções possíveis até 2012 para que se tenha certeza de que elas estarão suficientemente disponíveis dentro dos limites de custo que estão sendo determinados e se a lista proposta de solucões plausíveis necessitará de alguma atualização.

As casas deverão seguir os padrões do BRE’s EcoHomes, o selo inglês mais conhecido para certificações em construções sustentáveis.

Lighthouse – Arq Sheppard Robson para Arup e Kingspan Off-Site, exibição BRE's OFFSITE2007

Lighthouse – Sheppard Robson para Arup e Kingspan Off-Site, exibição BRE's OFFSITE2007

Segundo Margaret Beckett, “as mudanças climáticas são o maior desafio interposto à humanidade, e a introdução das ‘residências carbono-zero’ são uma parte importante de nossos planos para atacar isto, bem como as medidas adicionais para combater as emissões das residências existentes. Eu estou completamente comprometida com as nosso alvo para 2016, e esta meta já está estimulando ações locais e externas.

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Esquema da Residência

Não há dúvida que é um discurso alinhado com as premissas ambientais que são ouvidas até mesmo no Brasil, mas até onde se pode imaginar plausível o estabelecimento de uma meta tão ambiciosa se ainda nem foram discutidas e acertadas as formas de obtenção desta?

Mais parece que o Parlamento Inglês está “jogando para torcida”, ao anunciar a derrubada do imposto “stamp tax” para construções originais e eco-amigáveis. Construtores e vendedores pagam ao governo um percentual sobre a venda, e a queda poderia atingir cerca £15.000,00 (aproximadamente US$28.000,00). Para residências avaliadas abaixo de £500.000,00, ocorreria uma renúncia fiscal total, desde que seja a primeira venda desta casa.

Mas acredito que a maior crítica a ser feita a esta politicagem verde seria a óbvia relação de custo de construção dentro de uma padrão (por mais britânico que seja) ao ser trocado por um novo que não se sabe ao certo quanto custaria. Mesmo com isenção de tributos visando estimular esta política, é muito provável que, aos custos de implementação atuais, saia muito, mas muito mais caro ter uma casa sustentável. Não que não se deva fazer um movimento em direção a isto, o que vejo como incorreto é determinar uma meta tão ambiciosa que, ao que parece, apenas servirá de descrédito quando nos aproximarmos da data.

Se bem que, se os políticos de além-mar forem semelhantes aos nossos, até lá ninguém vai se lembrar ou se preocupar com isto…