AS ÁRVORES DE PLÁSTICO NÃO MORREM…

Imagem CC "Fake Plastic Tree" de Hobvias Sudoneighm

Imagem CC "Fake Plastic Tree" de Hobvias Sudoneighm

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), o país é o oitavo colocado no ranking mundial de consumo de plástico, enquanto ocupa o nono lugar entre os maiores fabricantes de resinas plásticas. Conforme levantamento da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), o  consumo per capita anual deste material saltou de 18,6kg em 1997 para 26,1kg em 2007 – ainda bem distante do padrão americano de mais de 100kg/pessoa ao longo de um ano.

Por outro lado, a produção de papel com conteúdo reciclado consome 50% menos energia do que a produção com matéria-prima original, e 50 vezes menos (!) água, reduzindo a emissão de poluentes no ar em 95%. Considerando-se o eucalipto como a principal fonte de celulose no Brasil, para cada tonelada de papel fabricado são necessárias doze árvores. Segundo informa o proprietário da Reprográfica Barrense, em volta Redonda/RJ, a utilização de 50kg de papel reciclado evita o corte de uma árvore. E cada tonelada de papel reciclado representa 3 metros cúbicos de espaço disponível nos concorridos aterros sanitários do país.

Mas afinal, o que este monte de dados apresentados tem a ver entre si?

Fruto de uma parceria entre a Universidade Federal de São Carlos e a Vitopel – maior produtora de embalagens flexíveis da América Latina, com fábricas em Votorantim e Mauá (SP) – começa a ser comercializado a partir de agosto no Brasil o Vitopaper, um papel sintético cuja matéria-prima não é a celulose, mas sim os resíduos plásticos normalmente coletados para reciclagem. Com investimentos da ordem de R$4 milhões de reais ao longo dos últimos três anos, a tecnologia inovadora tem como grande diferencial o fato de não necessitar de seleção dos plásticos para a fabricação. A matéria-prima pode incluir garrafas PET, frascos, embalagens ou rótulos. Com 850kg de plástico obtêm-se 1 tonelada de papel sintético.

A estimativa da empresa, segundo o presidente José Ricardo Roriz Coelho, é vender 10.000 toneladas no mercado interno ainda este ano, apesar da capacidade de produção ser de 150.000 toneladas/ano. Com o olho na sustentabilidade social, é interessante notar o comprometimento com as cooperativas locais: “Nosso plano de trabalho com as cooperativas de catadores tem um primeiro estágio em que esperamos contribuir para uma melhora na rentabilidade das organizações, o que certamente já vai tirar muita gente da rua. No segundo estágio, imaginamos ser possível que os catadores possam fazer o trabalho uniformizados, de posse de identificação e com carrinhos que ajudem a dignificar seu trabalho”, afirma Coelho.

Como marketing, a empresa alega que este papel é mais resistente, atraente (semelhante ao acabamento do papel couché) e durável, já de olho, certamente, no imenso mercado de cadernos e de impressão e distribuição de livros escolares.

Quem sabe o alastramento desta tecnologia pelo país não vai permitir que se pare de plantar “florestas exóticas” (pinus, eucalipto, etc) para produção de papel e se passe a investir a longo prazo em “florestas nativas”, que certamente irão impulsionar a cadeia da indústria moveleira e diminuir a pressão que esta exerce pela preciosa madeira oriunda da Amazônia? Se pensarmos o quanto as coisas aparentemente desconexas podem ser vinculadas…