WATER CHAMPION CITIES WORKSHOP

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Patrocinando a inovação e a sustentabilidade

Este workshop faz parte da intensa programação do World City Water Forum – The Innovation and Harmony of Water and Cities, em Incheon, na Coréia do Sul, evento que espera contar com mais de cinco mil participantes de cerca de 50 países. O encontro quer reunir atuais e outras potenciais Cidades Campeãs em Água (Water Champion Cities) para recolher dados e discutir as realizações obtidas até agora, bem como apoiar iniciativas e sugerir novas abordagens e inovações ao longo dos próximos dois anos.

Como resultado do encontro, as cidades irão definir os planos de trabalho e ações futuras para fortalecer as autoridades locais nos países em desenvolvimento e atingir uma maior divulgação do Consenso de Istambul para a Água, com o sexto Fórum Mundial da Água sendo o evento-alvo limite para a apresentação dos resultados.

Este encontro será realizado durante dois dias (12 e 13 de agosto de 2010), com três sessões. O primeiro dia será composto por duas sessões de apresentação dos projetos em andamento e exibição de estudos de caso em países em desenvolvimento, onde o WCC compartilhará sua experiência e conhecimento em soluções sobre o tema “água”. Isto levará a um espaço onde as cidades possam trabalhar em grupos para melhor compreensão e discussão de problemas e soluções.

Os tópicos estarão focados em:
- Redução de Risco
- Qualidade de Vida
- Governança

A sessão final será destinada a uma discussão sobre a construção de parcerias e  ao estabelecimento de um acordo do plano de ação futura.

CASAS PASSIVAS

 

Quem lê rapidamente pode pensar que se está falando daquelas residências que se vêem cercadas por edíficios altos – monolitos de concreto eventualmente neo-neoclássicos (agora na versão isopor), em vários dos antigos quarteirões residenciais de nossas cidades. Mas não é nada disto.

Casas passivas são aquelas que fazem uso da fonte de energia mais intensa e barata que possuímos: o sol. Apesar do alto custo atual em transformar energia solar em energia elétrica, pouco nos impede de usufruirmos a energia gerada pelo calor. Além, é claro, das benesses que uma correta orientação quanto ao sol e os ventos podem oferecer. Em um país como o nosso, que consome uma fatia significativa da energia produzida com chuveiros elétricos, é de se pensar no porquê não podemos explorar o que a natureza nos oferece gratuitamente.

 

Fachadas Sul e Norte do conjunto Passive Houses no Distrito de Kronsberg (Hannover – Alemanha

Fachadas S e N das Passive Houses no Distrito de Kronsberg. Imagem CEPHEUS.

Aqui estão alguns exemplos de residências construídas em Kronsberg-Hannover, habitadas e monitoradas dentro do programa CEPHEUS (Cost Efficient Passive Houses as European Standards), do Passive Haus Institut (Alemanha), patrocinado pela Comissão da União Europeia IEEA (Inteligent Energy Executive Agency), que privilegia o desempenho energético como elemento prioritário para o estabelecimento de um grau maior de qualidade do projeto. Apesar da aparência estética com pouco “apelo arquitetônico”, as residências construídas são ambientalmente amigáveis, apresentando alto nível de conforto térmico e ótima qualidade do ar interno.

As imagens abaixo apresentam o esquema do conceito de ventilação eficiente aplicado as residências, com os pontos de entrada de ar e os de exaustão. Cada uma das 32 residências que formam o conjunto de Kronsberg possui um sistema de ventilação próprio capaz de recuperar o calor gerado pelo domicílio e que é operado por seus ocupantes conforme a melhor conveniência. Nas casas não existem pontos em que o ar fique estagnado, a ventilação (mesmo que apenas higiênica) é constante.

Planta-Baixa dos Pavimentos e elementos de insuflamento e exaustão do ar. Imagem CEPHEUS.

Planta-Baixa dos Pavimentos e elementos de insuflamento e exaustão do ar. Imagem CEPHEUS.

Outro hit da inércia térmica destas residências está na cobertura: telhado vivo tipo extensivo, que garante um bom controle da temperatura interna em relação ao meio externo. Abaixo, um dos esquemas de detalhamento e arremate entre a cobertura e a parede, sem o uso de qualquer tipo de cantoneira metálica para reforço. 

Ponte-Térmica livre de junções metálicas entre o elemento de cobertura e o de fachada. Imagem CEPHEUS.

Ponte-Térmica livre de junções metálicas entre o elemento de cobertura e o de fachada. Imagem CEPHEUS.

O que mais impressiona é que as casas não são apenas tecnicamente viáveis, mas também economicamente possíveis dentro dos padrões de Passive Houses estabelecidos. Apesar do modelo energético alemão (ou mesmo europeu) ser bem diferente do brasileiro, seria interessante que se entendesse o que está sendo feito por lá para que se aplique por aqui o que fosse viável, principalmente quando se entende que o custo de uma casa não caba com a execução da obra, mas sim que ele estende-se ao longo da vida útil dela, multiplicando o valor que o mercado apresenta ao consumidor por 4 a 8 vezes.

CONSTRUÇÃO CIDADÃ

 

Elias Eberhardt

Vila Cachorro Sentado, Av Ipiranga – Porto Alegre/RS • foto Elias Eberhardt

Elias Eberhardt

Vila dos Papeleiros, Av Castelo Branco – Porto Alegre/RS • foto Elias Eberhardt

Segue em anexo matéria com divulgação e reflexão sobre a Lei 11.888/2008 – chamada de Lei de Engenharia Pública, publicada em Conselho em Revista, ed 55, CREA-RS.

Salvo algum juízo de razão quanto a motivação legislativa, será que esta lei não deveria chamar-se “Lei da Construção Cidadã”? “Construção” porque o termo abrange todas as atividades relacionadas ao seu texto, e “Cidadã” porque é isto que está por trás desta questão levantada ainda na última reforma constitucional de 1988. O que acham?

Construção Cidadã – reportagem de Carla Damasceno, Jornalista

Na véspera do Natal de 2008, a parcela da população que enfrentava a triste realidade do déficit habitacional no Brasil – o qual atinge cerca de 8 milhões de moradias, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – foi privilegiada com a Lei 11.888, que garante assistência técnica gratuita para a construção de casas populares de até 60m2 – em áreas declaradas de interesse social. Por ter sido sancionado no dia 24 de dezembro, período de celebrações e troca de presentes, o instituto, que vai assegurar o direito das famílias de baixa renda à assistência profissional pública e gratuita para o desenvolvimento do projeto e execução de suas habitações, poderia ser facilmente confundido com uma bonificação. A função social da novidade, porém, possui um significado muito mais abrangente, atrelado ao direito à moradia – previsto na Constituição Brasileira.

A população desprovida de recursos financeiros terá, assim, um serviço público voltado à habitação, a exemplo do que já ocorre na área médica, com o Sistema Único de Saúde (que, embora longe da perfeição, cumpre papel essencial), ou no Direito, com a Assistência Judiciária Gratuita. Mas enquanto a saúde e a justiça são espacialmente invisíveis, a habitação caracteriza-se por ser tangível e um dos fatores essenciais à qualidade de vida das pessoas. Nestas construções cidadãs, voltadas às famílias com ganho mensal de até três salários mínimos, serão assegurados os serviços de luz, água e saneamento básico. O item primeiro, do 2º parágrafo da Lei 11.888, estabelece que o direito à assistência técnica abrange todos os trabalhos de projeto, acompanhamento e execução da obra a cargo dos profissionais das áreas de Arquitetura, Urbanismo e Engenharia, necessários à edificação, reforma, ampliação ou regularização fundiária dos domicílios.

Em aglomerados habitacionais precários e irregulares, a exemplo das favelas, onde impera a falta de orientação nas construções, nos quesitos estético, estrutural, elétrico e hidráulico, a Lei 11.888 será sentida na prática. “Um dos grandes problemas que temos nas periferias das cidades é a construção irregular, fora do planejamento e de todos os parâmetros técnicos estabelecidos pelos Planos Diretores e Código de Obras. Mais do que isso, ocupando áreas de risco e inundáveis. Será garantido o acesso a um profissional para executar o projeto obedecendo a padrões técnicos, em locais seguros. Claro que por si só, a lei não é a solução final, mas é um instrumento fundamental para começar a alterar essa realidade”, acrescenta o Engº Civil Túlio de Melo.

Em um mundo combalido pela degradação ambiental, oriunda do progresso apregoado desde a Modernidade, a arquitetura sustentável pode trazer contribuições à habitação de cunho social, garantindo assim melhorias ao meio ambiente e à qualidade de vida. No trecho da Lei 11.888, onde é prevista “a busca da inovação tecnológica, a formulação de metodologias de caráter participativo e a democratização do conhecimento” fica implícita a relevância das questões sustentáveis no atendimento destes quesitos, teor que entusiasma o Arquiteto Carlos Krebs, sócio-diretor da Krebs Sustentabilidade, empresa atuante na implementação de diretrizes sustentáveis. O arquiteto considera que as habitações de interesse social são tratadas, no Brasil, quase como uma derivação do Fordismo aplicado à construção, “ou seja, o desenvolvimento de uma tipologia padrão, multiplicada indiscriminadamente, indiferente ao terreno, à orientação solar, às características físicas do local e do grupo populacional a quem será entregue”, compara. Ele defende que a consideração do tema sustentabilidade nos empreendimentos desta área é urgente, pois não é fácil aceitar que o déficit habitacional brasileiro justifique a réplica de práticas condenáveis da cadeia de consumo. “A desculpa de que o custo de produção de cada unidade habitacional deve ser o mais baixo possível, de forma a atender a um número máximo de famílias dentro dos parcos orçamentos disponíveis, não deve mais preponderar. Morando melhor, as pessoas desenvolvem suas potencialidades e dão um retorno social e econômico muito maior em relação ao investimento feito atualmente”, explica.

Integrante do Fórum Gaúcho de Produção mais Limpa, da Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Estado, Carlos cita as idéias implantadas no projeto desenvolvido pela Krebs Arquitetura para a Escola Técnica de Feliz/RS (também conhecido como Centro de Educação Profissional do Vale do Caí), as quais poderiam nortear diversos núcleos domiciliares no país. Por meio de um equilíbrio entre conceitos e projeto, aliou-se a sustentabilidade ambiental (cuidado na implantação, respeitando o entorno vegetado e a mínima movimentação do terreno, uso de materiais regionais e de baixo impacto, tecnologias passivas e utilização de águas pluviais), a econômica (otimização energética e manu-tenção do orçamento previsto para um padrão convencional em uma construção sustentável) e a social (uso de mão-de-obra local, aliada à idéia da escola como centro difusor de novos conceitos em meio à comunidade que se utilizará deste ensino).”

Leia a matéria na íntegra em

Construção Cidadã

 

CASAS LIVRES DE EMISSÕES DE CO2 – META OU MITO?

 

 

Com grande alarde, a Ministra de Estado para Habitação e Planejamento do governo inglês, Margaret Beckett, anunciou em dezembro de 2008 a meta de que até 2016 toda a Grã-Bretanha tenha todas as novas residências construídas com índice zero quanto as emissões de CO2. Mas isto é uma meta possível?

A Inglaterra tem hoje mais de 25% das emissões de gases do “efeito estufa” oriundas das residências e pretende-se que até o distante ano de 2050, este índice baixe em 80% dos níveis atuais. Há um plano de consultas públicas em aberto para que seja determinada a forma como este objetivo será atingido, incluindo:

• Grande incremento nos níveis de eficiência energética na fabricação de novas residências;

• Determinação de um nível mínimo de redução de CO2 que os construtores deverão atingir para que o desenvolvimento das casas nos locais tenham um ganho de isolamento, ou que esteja prevista a produção de energia de fonte alternativa neste local;

• Exigência dos desenvolvedores quanto ao enfrentamento das emissões restantes de carbono nas novas residências, optando por medidas plausíveis, tais como o fornecimento de energias eficientes para os equipamentos das casas;

• Determinação de um limite máximo na quantidade estimada de consumo nestas soluções, de forma que a indústria da construção civil forneça com exatidão o custo destas políticas;

• Revisão da lista de soluções possíveis até 2012 para que se tenha certeza de que elas estarão suficientemente disponíveis dentro dos limites de custo que estão sendo determinados e se a lista proposta de solucões plausíveis necessitará de alguma atualização.

As casas deverão seguir os padrões do BRE’s EcoHomes, o selo inglês mais conhecido para certificações em construções sustentáveis.

Lighthouse – Arq Sheppard Robson para Arup e Kingspan Off-Site, exibição BRE's OFFSITE2007

Lighthouse – Sheppard Robson para Arup e Kingspan Off-Site, exibição BRE's OFFSITE2007

Segundo Margaret Beckett, “as mudanças climáticas são o maior desafio interposto à humanidade, e a introdução das ‘residências carbono-zero’ são uma parte importante de nossos planos para atacar isto, bem como as medidas adicionais para combater as emissões das residências existentes. Eu estou completamente comprometida com as nosso alvo para 2016, e esta meta já está estimulando ações locais e externas.

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Esquema da Residência

Não há dúvida que é um discurso alinhado com as premissas ambientais que são ouvidas até mesmo no Brasil, mas até onde se pode imaginar plausível o estabelecimento de uma meta tão ambiciosa se ainda nem foram discutidas e acertadas as formas de obtenção desta?

Mais parece que o Parlamento Inglês está “jogando para torcida”, ao anunciar a derrubada do imposto “stamp tax” para construções originais e eco-amigáveis. Construtores e vendedores pagam ao governo um percentual sobre a venda, e a queda poderia atingir cerca £15.000,00 (aproximadamente US$28.000,00). Para residências avaliadas abaixo de £500.000,00, ocorreria uma renúncia fiscal total, desde que seja a primeira venda desta casa.

Mas acredito que a maior crítica a ser feita a esta politicagem verde seria a óbvia relação de custo de construção dentro de uma padrão (por mais britânico que seja) ao ser trocado por um novo que não se sabe ao certo quanto custaria. Mesmo com isenção de tributos visando estimular esta política, é muito provável que, aos custos de implementação atuais, saia muito, mas muito mais caro ter uma casa sustentável. Não que não se deva fazer um movimento em direção a isto, o que vejo como incorreto é determinar uma meta tão ambiciosa que, ao que parece, apenas servirá de descrédito quando nos aproximarmos da data.

Se bem que, se os políticos de além-mar forem semelhantes aos nossos, até lá ninguém vai se lembrar ou se preocupar com isto…