II FÓRUM MUNDIAL DE SUSTENTABILIDADE

© Logo por Seminars
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De 24 a 26 de março ocorrerá em Manaus – AM o Fórum Mundial de Sustentabilidade, realizado pelo Seminars e promovido pelo LIDE. É uma rara oportunidade de reunir no berço mundial da biodiversidade os presidentes de grandes empresas, executivos, líderes políticos, representantes de universidades brasileiras e internacionais e entidades ambientais – todos discutindo a sustentabilidade na Amazônia e no planeta como um todo.

O evento realizar-se-á no Hotel Tropical de Manaus, próximo da Praia de Ponta Negra, junto ao Rio Negro, e tem como destaque as participações do ex-Presidente Norte-Americano Bill Clinton, do ex-Governador da Califórnia (também ex-Conan, o Bárbaro e ex-T800, o Exterminador do Futuro) Arnold Schwarzenegger, do premiadíssimo diretor James Cameron, do Fundador e Presidente do Grupo Virgin, Sir Richard Branson, e do ex-Deputado Federal e forte contribuinte na elaboração da Legislação Ambiental Brasileira, Fábio Feldmann, dentre outros.

Entre palestras, workshops e debates, o fórum abordará temas que vão de “Construções Sustentáveis” a “Humanismo e Sustentabilidade”, passando pelos de relevância mais local, como “Desenvolvimento Sustentável da Floresta Amazônica” e “O Brasil e a Dinâmica da Sustentabilidade”. A programação completa está disponível no site do evento Fórum Mundial de Sustentabilidade.

Imagens ©: Bill Clinton por Indiana University + Conan the Barbarian por Universal Pictures + The Terminator por MGM + Arnold Schwarzenegger por Aviation Week + James Cameron por HQ Movies + Richard Brenson por Sasha Muradali + Fábio Feldmann por UNB On the Sid

Imagens ©: Bill Clinton por Indiana University + Conan the Barbarian por Universal Pictures + The Terminator por MGM + Arnold Schwarzenegger por Aviation Week + James Cameron por HQ Movies + Richard Brenson por Sasha Muradali + Fábio Feldmann por UNB On the Side

Acredita-se que, mais uma vez, o melhor do fórum não estará diretamente vinculado apenas às abordagens de como desenvolver a região sem derrubar a floresta, mas sim, na carga midiática que a passagem de palestrantes e personalidades emprestam por alguns dias à Manaus, possibilitando colocar a Amazônia no centro das discussões mundiais sobre o tema bem além da limitação das paredes na Área de Conferências…

UM OÁSIS NUMA ILHA – THE VISIONAIRE

Pontuação no LEED®, fonte Green Source Magazine ©

Pontuação no LEED®, dados da Green Source Magazine ©

Um prédio de apartamentos com trinta e cinco andares em Manhattan não é o que se poderia chamar de “lugar-comum” quando se pensa em uma arquitetura sustentável, não? Mas o projeto do famoso escritório Pelli Clarke Pelli Architects foge do óbvio e comprova uma nova e rentável forma de construção em um local pouco provável, sendo o primeiro prédio residencial americano a atingir a pontuação Platina no LEED®.

O The Visionaire está localizado em Battery Park City – uma parcela de mais de 370.000m2 na esquina sudeste da ilha, criada a partir de sucessivos aterros entre 1972 e 1976 junto ao Rio Hudson. Em 1979 foi decretado um Plano Geral de Ocupação, que determinava uma combinação entre espaços comerciais e residenciais que privilegiassem a existência do parque. O principal conjunto deste distrito até então eram as quatro torres de escritórios do World Financial Center, de 1988, do mesmo Arquiteto Cesar Pelli.

No final da década de 90, o BPCA (Battery Park City Authority), aproveitando um curto período de calma no ritmo frenético das construções no local, estabeleceu uma série de orientações visando a promoção da sustentabilidade nas novas construções. Seguindo estas orientações, a firma de Pelli projetou três novas torres residenciais, resultando no Solaire (2003), no Verdesian (2006), e agora no Visionaire. Estas orientações dividem-se em cinco partes:

The Visionaire, por Pelli Clarke Pelli ©

The Visionaire, por Pelli Clarke Pelli ©

  • Eficiência energética;
  • Melhoria da qualidade ambiental interna;
  • Conservação de materiais e recursos;
  • Educação, operações e manutenções;
  • Conservação de água e gerenciamento local.

Segundo Susan Kaplan, Diretora de Sustentabilidade do BPCA, as orientações acima listadas “estão fundamentadas em metas realísticas capazes de integrar o processo construtivo, e não baseadas em desejos utópicos”.

No primeiro olhar ao prédio destaca-se o seu revestimento em pele de vidro, combinando vidros de baixa emissividade (low-e) com um “rainscreen” (método construtivo no qual as paredes tem o revestimento separado da membrana por um colchão de ar com pressão equalizada – prevenindo-se que a chuva possa “forçá-lo”, e que permite um alto desempenho térmico e um menor uso de equipamento de aquecimento ou refrigeração, além de uma resistência muito maior aos ventos) na cor terracota. A conservação da água fez parte dos esforços sustentáveis do projeto, utilizando para isso equipamentos que reduzem o consumo de água potável e sistemas de tratamento para toda as águas cinzas do prédio. O uso de telhados verdes está presente em 70% das superfícies de cobertura do prédio, contribuindo para a captação de águas pluviais utilizadas para irrigação e limpeza. Completando, há micro-turbinas movidas à gás natural na estrutura das coberturas para produção de água quente.

O prédio economiza cerca de 42% de energia em comparação com a média de consumo de prédios similares, resultado da utilizacão de sistemas eficientes e de um ótimo “envelope”, que mereceu exaustivos cuidados, detalhamentos e testes em relação ao seu material de isolamento. Claro que os investidores utilizaram-se de medidas “marketeiras”, como o emprego de painéis fotovoltáicos azuis (menos eficientes que seus semelhantes pretos) e o uso de revestimento de bambu nas portas e o emprego de mobiliário “sustentável” nas áreas de uso comum. Alternativas que auxiliam muito mais na propagação de um ideal do que  na prática da sustentabilidade.

O prédio construído + Prêmio + Detalhe da Fachada + Interiores, por Pelli Clarke Pelli ©

O prédio construído + Prêmio + Detalhe da Fachada + Interiores, por Pelli Clarke Pelli ©

Ainda assim, este é o grande lance do empreendimento (voltado a poucos – é claro): um discurso que emprega como apelo de venda o faça-você-também, que dizia que “cada morador é responsável por efetivamente atingirmos as metas de eficiência deste prédio”. Uma abordagem um pouco diferente do que se vê aqui no Brasil, onde os empreendedores vendem ao habitáculo (moradia/trabalho) como uma solução fechada. O cliente é apenas um usuário passivo, que no máximo reproduz um discurso sobre os principais itens verdes que ele comprou…