CASAS PASSIVAS

 

Quem lê rapidamente pode pensar que se está falando daquelas residências que se vêem cercadas por edíficios altos – monolitos de concreto eventualmente neo-neoclássicos (agora na versão isopor), em vários dos antigos quarteirões residenciais de nossas cidades. Mas não é nada disto.

Casas passivas são aquelas que fazem uso da fonte de energia mais intensa e barata que possuímos: o sol. Apesar do alto custo atual em transformar energia solar em energia elétrica, pouco nos impede de usufruirmos a energia gerada pelo calor. Além, é claro, das benesses que uma correta orientação quanto ao sol e os ventos podem oferecer. Em um país como o nosso, que consome uma fatia significativa da energia produzida com chuveiros elétricos, é de se pensar no porquê não podemos explorar o que a natureza nos oferece gratuitamente.

 

Fachadas Sul e Norte do conjunto Passive Houses no Distrito de Kronsberg (Hannover – Alemanha

Fachadas S e N das Passive Houses no Distrito de Kronsberg. Imagem CEPHEUS.

Aqui estão alguns exemplos de residências construídas em Kronsberg-Hannover, habitadas e monitoradas dentro do programa CEPHEUS (Cost Efficient Passive Houses as European Standards), do Passive Haus Institut (Alemanha), patrocinado pela Comissão da União Europeia IEEA (Inteligent Energy Executive Agency), que privilegia o desempenho energético como elemento prioritário para o estabelecimento de um grau maior de qualidade do projeto. Apesar da aparência estética com pouco “apelo arquitetônico”, as residências construídas são ambientalmente amigáveis, apresentando alto nível de conforto térmico e ótima qualidade do ar interno.

As imagens abaixo apresentam o esquema do conceito de ventilação eficiente aplicado as residências, com os pontos de entrada de ar e os de exaustão. Cada uma das 32 residências que formam o conjunto de Kronsberg possui um sistema de ventilação próprio capaz de recuperar o calor gerado pelo domicílio e que é operado por seus ocupantes conforme a melhor conveniência. Nas casas não existem pontos em que o ar fique estagnado, a ventilação (mesmo que apenas higiênica) é constante.

Planta-Baixa dos Pavimentos e elementos de insuflamento e exaustão do ar. Imagem CEPHEUS.

Planta-Baixa dos Pavimentos e elementos de insuflamento e exaustão do ar. Imagem CEPHEUS.

Outro hit da inércia térmica destas residências está na cobertura: telhado vivo tipo extensivo, que garante um bom controle da temperatura interna em relação ao meio externo. Abaixo, um dos esquemas de detalhamento e arremate entre a cobertura e a parede, sem o uso de qualquer tipo de cantoneira metálica para reforço. 

Ponte-Térmica livre de junções metálicas entre o elemento de cobertura e o de fachada. Imagem CEPHEUS.

Ponte-Térmica livre de junções metálicas entre o elemento de cobertura e o de fachada. Imagem CEPHEUS.

O que mais impressiona é que as casas não são apenas tecnicamente viáveis, mas também economicamente possíveis dentro dos padrões de Passive Houses estabelecidos. Apesar do modelo energético alemão (ou mesmo europeu) ser bem diferente do brasileiro, seria interessante que se entendesse o que está sendo feito por lá para que se aplique por aqui o que fosse viável, principalmente quando se entende que o custo de uma casa não caba com a execução da obra, mas sim que ele estende-se ao longo da vida útil dela, multiplicando o valor que o mercado apresenta ao consumidor por 4 a 8 vezes.